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Pr. Carlos Henrique
SOBRE OLHAR E OLHARES
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Com certeza não foi à toa que Jesus disse que os olhos são a candeia do corpo. Em uma versão mais moderna e mais poética, que os olhos são a janela da alma. É através do olhar que concebemos o mundo, nem sempre tal como ele é, mas sim como nós o enxergamos, a partir de nossa história, cultura, heranças e legados familiares. Foi pensando assim que Leonardo Boff afirmou na introdução de seu livro “A águia e a galinha” que “todo ponto-de-vista é a vista de um ponto’, ou seja, cada um enxerga com os olhos que tem e a partir de onde seus pés pisam. Para ilustrar tais idéias podemos recorrer àquele comportamento infantil quando um grupo de crianças ficava tentando dar formas concretas ás nuvens que ligeiramente passavam pelo céu. Cada criança enxergava a sua nuvem de um jeito e difícil era encontrar uma forma comum a todas elas. Assim somos nós olhando a vida passar com os seus dramas e contingências. Cada um enxergando a partir de seu ponto-de-vista. Cada um compreendendo a partir de suas crenças e valores. Cada um interpretando a partir de sua maneira de pensar a vida. Existem diversos tipos de olhares: olhares rígidos, flexíveis, determinados, vulneráveis, desiludidos, esperançosos, piedosos, cruéis, pacientes, intolerantes etc. Muito mais importante que descrever a forma de um olhar é descrever a sua direção, para onde está voltado. Comumente somos tentados a mantermos um olhar egocentrado, ou seja, um olhar que só enxerga o seu “umbigo”, voltado apenas para si mesmo. Esse tipo de olhar é bem representado por aqueles que supervalorizam os seus problemas em detrimento ao sofrimento do outro. Sua dor é maior, seu problema é o pior, seu sofrimento é incomparável. Para esses a única alternativa é sair distribuindo pedidos de oração, sendo ele o alvo de todas as orações. O olhar egocentrado não é o mais saudável, pois ele é excludente, deixando de fora todas as demais pessoas com os seus dramas pessoais. Existem outras formas de olhar: o olhar em volta, o olhar para baixo, o olhar além e, sobretudo, o olhar para cima. Quando olhamos à nossa volta, tirando os olhos de nós mesmos, descobrimos por certo que o nosso problema não é o maior e que a nossa dor não é a mais intensa. Olhando ao nosso redor vamos perceber situações bem mais delicadas que as nossas e aí entendemos que temos muito mais para dar do que para receber. Quando olhamos para baixo descobrimos àqueles que se encontram numa posição de inferioridade, que não foram privilegiados como muitos de nós com a benção da saúde, da família, do trabalho, das finanças, e, por isso, sentem-se achatados. A esses podemos estender a mão e ajudá-los a se colocarem de pé. Quando olhamos além, deixamos o foco do presente, do aqui e agora, e contemplamos aquilo que ainda está por vir. Esse olhar nos livra da dor do momento, entendendo que nada se compara ao que o Senhor tem preparado para aqueles que O amam. Mas o mais importante de todos os olhares é aquele dirigido para cima, para o alto, “olhando para Jesus, autor e consumador da nossa fé”. É esse olhar que nos fará caminhar sem rodeios, sem atalhos, sem pecados, sem embaraços. É olhando para cima que conseguimos caminhar e sermos justificados pela fé, escrevendo uma história de vitória, mas sobretudo de testemunho cristão. Meu querido irmão.,tire os olhos de você mesmo e olhe ao seu redor, à sua volta.  Olhe para baixo, olhe além do lugar e do tempo em que você se encontra. Por certo você se surpreenderá e crescera para honra e glória de nosso Deus.
Com amor,
Pastor Carlos Henrique.
 
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