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Pr. Carlos Henrique
A BENÇÃO DO SILÊNCIO
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"No Final, nós nos lembraremos não das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos."
( Martin Luther King )

Se o silêncio não fosse importante, Salomão não escreveria que há “tempo de estar calado e tempo de falar” (Ec. 3:7b); Davi não ordenaria dizendo “Guarda a tua língua do mal e os teus lábios, de falarem enganosamente (Sl. 34:13); Tiago não exortaria o homem a que “seja pronto para ouvir, tardio para falar” (Tg. 1:19parte); nem tampouco Paulo afirmaria “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação” (Ef. 4:29). Infelizmente, por uma necessidade tão somente nossa e quase nunca do outro, temos muita dificuldade de nos mantermos em silêncio, achando que sempre precisamos dizer alguma coisa, dar alguma opinião, fazermos algum comentário. Por não conseguirmos desenvolver mais a disciplina espiritual da reflexão, da meditação, não conseguimos consequentemente dar lugar ao exercício da introspecção, que nada mais é do que o voltar-se para dentro, o olhar a si mesmo, talvez observando assim a orientação do apóstolo Paulo dada aos crentes de Corinto no que dizia respeito ao examinar-se o homem a si mesmo. Há duas instâncias que são diretamente prejudicadas quando não conseguimos obter esse silêncio.  A primeira é a instância individual, pessoal, representada por nós mesmos. Quando não conseguimos nos calar, deixando a agitação externa e tentando ouvir nossa alma, corremos o risco de não escutarmos e reconhecermos nossas próprias necessidades. Talvez possamos até pensar no barulho, na “falação”, como um mecanismo de defesa que tenta nos impedir de ficarmos sozinhos com nossas próprias questões. É como aquela pessoa que sempre aponta os defeitos dos outros, critica, julga, e, assim, tenta disfarçar os seus próprios, não desejando ser o alvo das atenções. A segunda instância prejudicada pela ausência do silêncio é a relacional, a que diz respeito ao outro. Nesse sentido podemos considerar bem o que o apóstolo Paulo disse aos efésios quanto ao falar. Para ele, a única palavra que deve sair de nossa boca é aquela que edifica o outro. Você pode até pensar que já cumpriu esta ordem por não falar nenhuma palavra torpe, por não usar linguagem chula, vulgar, mas Paulo vai além disso. Ele diz que nossas conversas devem edificar o outro, que nossos comentários, se é que eles são necessários, devem promover a edificação de vidas. Logo, a conclusão é obvia: se não temos o que falar, se o que vamos falar não traz edificação, não abençoa vidas, melhor então é ficarmos calados, em silêncio. O silêncio é sinal de sabedoria, de prudência, às vezes até de educação. Quem fala muito, peca mais, erra mais, corre mais riscos. Portanto, meu querido irmão, cultive a preciosidade do silêncio e vigie sua língua para que ela não seja um instrumento de maldição para a vida dos outros. Fique quieto durante alguns instantes, ouça sua própria alma, veja quais são de fato suas necessidades. Quem sabe estes dias não sejam dias de ficarmos calados? Que o Senhor nos revele a Sua vontade acerca disso.
Com amor,
Pr. Carlos Henrique.

 
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