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Pr. Carlos Henrique
EU TENHO SAUDADES...
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Acho que ainda sou novo, desculpem a presunção, para manifestar um espírito nostálgico, mas sem nenhum constrangimento eu o faço. Vivemos um tempo onde tudo parece sem consistência. Tudo é muito superficial – relacionamentos, compromissos, experiências. Tudo é muito passageiro e logo sentimos necessidade de novidades. Tudo é muito frio e sem afeto e no melhor sentido da palavra já não nos afetamos mais com as coisas significativas e especiais da vida. Segundo Allan Petermann, "sem a saudade, o amor irá embora", o que nos faz lembrar a declaração de Jesus que no final dos tempos o amor de muitos iria se esfriar. Por conta de tudo isso, eu tenho saudades. Eu tenho saudades dos meus primeiros anos de conversão, não pelo que vivi pessoalmente, mas pelo ambiente em que vivi e das pessoas comprometidas que conheci. Eu tenho saudades de um tempo em que estar na Igreja era prioridade em nossa agenda, aliás, de um tempo em que nem havia agenda, pois Deus de fato era dono de nosso tempo. Eu tenho saudades de um tempo em que estudávamos menos as disciplinas seculares, fazíamos menos cursos, mas éramos alunos freqüentes da Escola Dominical, pois tínhamos prazer em aprender e compartilhar das coisas do Senhor. Eu tenho saudades de um tempo em que nossos irmãos eram nossos melhores amigos e companheiros, um tempo em que as companhias de fora serviam apenas para serem ganhas para Jesus e nunca para nos arrastar para o mundo. Eu tenho saudades de um tempo em que de verdade domingo era o “dia do Senhor”, quando nenhum outro compromisso era assumido a não ser o de estarmos juntos em comunhão, pela manhã, à tarde e à noite. Eu tenho saudades de um tempo em que fazer parte dos ministérios e dos serviços da Igreja era um privilégio e tudo era realizado com muita alegria e satisfação e nunca com uma sensação de peso ou obrigação. Eu tenho saudades de um tempo em que Deus era levado à sério e não apenas alguém a quem eu procurava quando necessitado.  Afinal, não faz tanto tempo assim, mas quantas coisas mudaram de lá para cá! Por certo, os poucos pastores que tive, aliás, apenas dois, também sofreram em seus ministérios, mas com certeza por causas bem diferentes daquelas pelas quais sofrem os pastores hoje. Hoje sofremos pelo descaso, pela indiferença, pela frieza, pela infidelidade, pela fragilidade das relações que construímos e que queremos manter com o Senhor. Porque ainda amo a Deus, tenho saudades. Porque ainda tenho saudades, sofro. Porque ainda sofro, comparo. Porque ainda comparo, tenho esperanças.

Com amor e com saudades,
Pastor Carlos Henrique.

 
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