| Pr. Carlos Henrique |
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Quando falamos em celebrar a vida, falamos de celebração a partir de uma consciência clara do que isso significa. Não estamos pensando em comemorar uma data ou participar de um evento religioso. As datas festivas e os eventos ou rituais religiosos funcionam como instrumentos que facilitam a compreensão daquilo que estamos celebrando. No entanto, sem uma consciência plena de seu sentido, podemos ficar apenas com o movimento da festa, perdendo em muito do seu verdadeiro significado. A Páscoa é uma dessas datas carregada de significados, tanto para os judeus quanto para os cristãos. Para ambos, a Páscoa fala da vitória sobre a morte, da libertação da escravidão, de uma nova caminhada em direção a um novo lugar, das esperanças e promessas que se renovam. Há, sim, um clima de morte, mas um clima de morte que revela a vida; um estado temporário de morte que não fala de fim, mas da possibilidade de um novo começo, e este, sim, que aponta para a eternidade. Sem dúvida a Páscoa fala de celebração da vida, mas o que isso significa? Celebrar significa festejar solenemente, expressar alegria de forma pública e compartilhada, comemorar. A esta última palavra quero me prender entendendo que só há celebração quando podemos comemorar, ou melhor, co-memorar. Isso tem a ver com memória, lembrança, consciência, recordação. Celebrar é trazer à memória os feitos e as realizações, é se alegrar com aquilo que aconteceu e que reconhecemos como parte de nossa história. Logo, só pode celebrar a Páscoa quem de fato experimentou os resultados do feito de Jesus pela humanidade. Não podemos celebrar esta data apenas de forma racional, porque aprendemos sobre sua origem e os seus significados. Celebrar a Páscoa é lembrar da nova vida que recebemos em Cristo Jesus. Surge, então, um novo impasse. De que tipo de vida estamos falando? Para ampliarmos nosso pensamento sobre isso quero me remeter a idéia grega da vida enquanto Bio e enquanto Zoé. Há aí uma questão existencial. A vida Bio é aquela que diz respeito à nossa existência enquanto ser vivo, humano, animal.
É a vida compartilhada em sociedade. É a vida que se expressa na capacidade de produzir, de realizar, de consumir e ser consumido. A vida Zoé é a vida de Deus transmitida aos homens através do Seu Espírito. É a vida experimentada a partir do novo nascimento (Jo. 3:6) e desdobrada em uma vida abundante e fluida (Jo. 4:14; 10:10). Portanto, celebrar a Páscoa é celebrar a vida de Deus revelada a nós através do Seu filho Jesus, testemunhando no cotidiano toda a mudança que Ele mesmo operou em nosso interior. Tudo isso é muito mais que apenas guardar uma tradição ou proceder com rituais. Celebrar a Páscoa é festejar com verdade e consciência a vida de Deus em nós.
Com amor e desejo de uma feliz Páscoa,
Pastor Carlos Henrique.
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