| Pr. Carlos Henrique |
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É tão interessante a maneira viciada como lemos as Escrituras! São versículos, capítulos, textos inteiros que decoramos e repetimos nos detendo sempre nos mesmos pontos e extraindo sempre as mesmas lições. Algumas vezes isso também se aplica aos sermões. Ao ouvi-los, vem aquela sensação de já ter escutado algo semelhante em algum lugar. Não há nenhum problema quanto a isso, a não ser o fato de que, com essa atitude, deixamos de conhecer verdades novas que podem trazer edificação e maturidade espiritual para nossas vidas. Foi essa a sensação que tive, em princípio, ao reler a famosa parábola do filho pródigo: Um filho que esbanja toda a sua parte na herança do pai; um pai pronto a acolher o filho em seu regresso à casa; e um outro filho ciumento em relação à atitude do pai para com o seu irmão. Por conseguinte, as mesmas lições e as mesmas aplicações feitas a partir desse texto. É claro que muitos ainda precisam ouvir e aprender sobre tal parábola e a mensagem proferida por Jesus através dela. Mas também é possível que você dê um passo adiante e vislumbre outras verdades reveladas no mesmo texto. Quero convidá-lo a pensar na atitude, na postura, no comportamento do pai do filho pródigo. Não na postura dos braços sempre abertos, no comportamento gracioso e misericordioso de perdão ou na atitude de promover uma grande festa em comemoração ao retorno do filho. Não. Isso você já sabe. A leitura e escuta viciada já lhe deu. Quero convidá-lo a pensar nesse pai que atende ao pedido do filho e aceita dividir com ele a herança, dando-lhe antecipadamente a parte que lhe caberia no futuro, não naquele momento, mesmo sabendo que isso não seria benção para sua vida. Quero convidá-lo a olhar para esse pai que permanece inerte em sua postura, que provavelmente sabe o que o filho está passando, mas que não sai à sua procura. Quero convidá-lo a espreitar esse pai que, diferente do pastor da parábola da ovelha perdida que deixa as noventa e nove e vai atrás da centézima, não deixa o seu filho mais velho em casa e sai à busca do mais novo. Que pai é esse?! Esse é um pai que representa tanto Deus enquanto nosso Pai Celestial, quanto o pastor enquanto líder espiritual. Se você algum dia criticou o pastor ou qualquer outro líder por não ter tido uma atitude semelhante a do pastor da ovelha perdida, deixando todo o rebanho e indo atrás do desviado, sem saber também criticou ao Pai Celestial que permitiu que o Seu filho se desviasse e jogasse fora a sua preciosa vida. Não conheço em nossa comunidade nenhuma “ovelha” perdida que não tenha sido buscada, procurada, carregada nos ombros, tratada. Não conheço em nosso meio nenhum irmão que não tenha sido alvo das orações e da atenção do pastor e oficiais. Não há em nosso meio nem uma pessoa sequer que não tenha tido a oportunidade de rever seu comportamento e de retornar à comunhão da Igreja. Que pai é esse? Que atitude é essa? A atitude do pai do filho pródigo é uma atitude que tipifica a postura de um Deus que prima pela liberdade do ser humano enquanto um ser criado à Sua imagem e semelhança. Somos seres dotados da capacidade de escolher e responsáveis por tais escolhas. Um dia, através de Jesus, Ele foi atrás de cada um de nós. Éramos e andávamos como ovelhas sem pastor. Ele nos colocou em Seus ombros e nos fez parte de Seu rebanho. Conhecemos a verdade e fomos libertos por ela. O que vamos fazer a partir daí é nossa responsabilidade. Não podemos carregar nos ombros quem um dia já foi achado por Jesus. Isso não significa ignorar o outro em sua dor e desamparo, mas apenas termos consciência da parte que nos cabe em nossos relacionamentos. Que o Senhor mesmo nos ajude a compreendermos tal verdade, não tão fácil de ser percebida à primeira vista, e a nos responsabilizarmos pela posição que temos tomado diante dEle e de nossos irmãos.
Com graça e amor,
Pastor Carlos Henrique.
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