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Pr. Carlos Henrique
VASOS DE HONRA OU DE DESONRA
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Foi o Apóstolo Paulo quem disse: “Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro, uns para honra, outros, porém, para desonra” (2Tm. 2:20). Como bom judeu, Paulo conhecia bem as Escrituras e sabia que uma boa maneira de ilustrar a constituição do homem era comparando-o ao vaso. Foi assim que Deus criou o homem, usando o pó da terra como sua matéria prima, ou seja, usando o mesmo material utilizado na confecção de um vaso, tal como vemos na narrativa de Jeremias, capítulo dezoito, quando a nação de Israel é comparada a um vaso nas mãos do oleiro. A mesma idéia está presente em 2 Coríntios 4:7, quando o apóstolo Paulo compara a existência humana a um vaso de barro. Na verdade, ele mesmo se reconheceu como tal, ao saber que a Ananias Deus o havia identificado como um vaso escolhido (Atos 9:15). Apresentar o homem dessa forma é falar de sua fragilidade, mas também de sua singularidade. Somos frágeis como um vaso de barro, mas, apesar disso, somos reconhecidos como indivíduos singulares, únicos. Afinal, uns são de ouro e prata, outros de pau e de barro. Quando o Apóstolo Paulo escreve ao jovem pastor Timóteo e trata o homem dessa maneira, na verdade, a ênfase que ele dá recai sobre outro aspecto: a possibilidade de sermos vasos de honra ou de desonra. Para muito além da questão da fragilidade e da singularidade humana, está a questão de podermos ser usados para a honra ou para a desonra. É interessante como essa questão está diretamente ligada à maneira como nos portamos frente ao outro e como usamos a nossa língua no trato com o próximo. Paulo está tão preocupado com as heresias pregadas e ensinadas, quanto com as conversas e falatórios dos corredores. Não podemos tratar de uma questão e esquecer a outra. Não podemos nos preocupar apenas em proteger a Igreja das falsas doutrinas, dos falsos pastores, e deixá-la entregue a um problema tão sério quanto esses, a saber: a fofoca, o falatório, as intrigas. A conclusão é simples: vaso de honra é aquele que usa sua língua para abençoar, para edificar a vida do irmão, para anunciar coisas boas, para exaltar as virtudes do outro, para semear a paz. Por sua vez, vaso de desonra é aquele que se apressa para contar a última novidade, mesmo que esta trate da desgraça do outro; é aquele que por não ter conteúdo interno, busca no externo material para as suas conversas, mesmo que isso não diga nenhum respeito a ele mesmo, senão ao outro; vaso de desonra é aquele que não enxergando os seus próprios defeitos, vive a procura dos defeitos do outro, fazendo disso o maior prazer da sua vida. Deus nos constituiu como vasos e, eu creio, com o desejo de sermos para a Sua honra. Resta-nos, portanto, saber se temos sido vasos de honra ou de desonra. A resposta pertence a cada um de nós, quando com honestidade examinarmos o nosso coração e apresentarmos a Ele todo o seu conteúdo. Que o Senhor nos dê graça para termos a coragem de procedermos dessa forma.
Com amor,
Pastor Carlos Henrique.
 
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