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Pr. Carlos Henrique
E SE TODO DIA FOSSE DIA DE NATAL?
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Por vezes fico me perguntando se nós suportaríamos se todos os dias fossem dia de Natal. Seria bastante difícil mantermos a vida em sua rotina, pois nessa época do ano a nossa agenda fica pequena para darmos conta de tanta confraternização, tantas reuniões e tantas festas. Por causa disso, compromissos importantes são adiados e coisas sérias são deixadas para depois. Certamente nosso direito de ir e vir também ficaria comprometido, já que o caos do trânsito - comum em todos os dias do ano, mas mais intenso nesse período – impediria o nosso deslocamento com mais rapidez e, por conseguinte, os atrasos seriam inevitáveis.  O que dizer, então, do movimento no comércio de um modo geral, quando filas quilométricas se estabelecem pelos bancos e lojas, dificultando, assim, o suprimento de nossas necessidades mais básicas. Isso tudo sem levar em consideração que nossos amigos vendedores não dormiriam mais e trabalhariam até a exaustão por causa do “viradão” de Natal. Além disso, sucumbiríamos financeiramente ante à exigência dos presentes, da roupa nova e da decoração da casa. Felizmente nem todo dia é dia de Natal. Basta uma comemoração dessas por ano e já está de bom tamanho. É claro que a culpa não é da data em si, mas de como decidimos comemorá-la. Seria bom se todo dia fosse dia de Natal para podermos estar um pouco mais próximos de nossos familiares e amigos, desejando coisas boas, comendo juntos, rindo, sem tanta pressa e sem hora para dormir. Seria bom se todo dia fosse dia de Natal porque nesse dia até os estranhos se cumprimentam e mesmo os vizinhos mais reservados se abrem a uma saudação. Em certo sentido seria bom se todo dia fosse dia de Natal, pois nesse dia algumas diferenças são esquecidas, alguns erros são relevados e algumas faltas esquecidas. Mas é exatamente nesse ponto que a coisa se agrava. Se todos esses sentimentos não forem verdadeiros, genuínos, sinceros e honestos, certamente não suportaríamos vivê-los todos os dias, pois ninguém consegue se enganar e enganar o outro por tanto tempo. Sentamos à mesa por uma noite. E as demais? Desejamos coisas boas até aos estranhos nesse dia. E nos outros dias do ano? Sabemos cuidar pelo menos dos mais próximos? No dia de Natal perdoamos, relevamos, toleramos. E durante o resto do ano? O que fazemos com as nossas diferenças? Se todo dia fosse dia de Natal, certamente estaríamos muito mais estressados, angustiados, esgotados e endividados, a não ser que decidíssemos celebrá-lo de outra forma: com muito mais simplicidade e com muito mais verdade. E isso que o Natal de Jesus quer nos ensinar. Toda a humildade com que Jesus veio ao mundo e toda a Sua grandeza revelada aos homens através do Seu amor, falam do verdadeiro sentido do Natal. Se isso fosse levado a sério e se fosse vivido por cada cristão, então, todo dia poderia ser dia de Natal.
Com amor e com desejo de um Feliz Natal a todos,
Pastor Carlos Henrique.
 
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